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Palavras de um teólogo a um governo que governe para a realidade

Quarta-feira, Março 30, 2022 - 01:00
Publicação
Observador Online

Seria mais fácil para o governo se ele se agarrasse às falsas certezas que pode elaborar acerca da existência, de nós, de si mesmo. Todavia, isso levá-lo-ia a ser devorado pela sua própria fantasia.

Caiu sobre o regaço da nossa vida o irmos passar a ter um novo governo nestes dias de grande inquietação mundial. Talvez isto seja uma boa, embora em grandes aspetos indesejada, oportunidade para refletir, na linha de pessoas muito mais capazes do que eu, acerca de que governo, independentemente do seu hino partidário, seria o mais apropriado para nós. Para todos nós que nos reconhecemos, de uma forma ou de outra, como portugueses e portugueses que desejam viver no real e não na ilusão.

A minha identificação, patente logo sob uma foto distorcida do meu rosto, revela que sou um teólogo católico. É certo. E é enquanto tal que escreverei estas palavras; isto é, enquanto pessoa que, felizmente, está pessoal e profissionalmente aberta a toda a realidade e não apenas a uma parte dela. Não sou um teólogo poliédrico nem caleidoscópico, nem nada dessas coisas que estão na, e criam, moda; sou apenas um simples teólogo - e um que não faz poesia.

Se não fosse, lá está, um teólogo, e se me pudesse inspirar livremente num famoso texto de humor de Jonathan Lynn e Antony Jay, até talvez pudesse dizer, com grande assertividade, que os votantes: no BE, julgam que governam o país; no L, sonham que os seus parceiros afectivos governassem o país; no PS, sabem que governam de facto o país; no PAN, gostariam que os seus animais de estimação governassem o país; no PCP, aspiram a ser governados por outro país; na IL, pensam viver noutro país; no PSD, querem governar o país; no Chega, pensam que deviam governar o país. Mas, sendo teólogo, não irei tão longe a nível de tal assertividade, pois o levar a sério as dúvidas dos demais deve pautar, metodologicamente, o meu teologizar.

Nota: Pode ler o artigo de opinião na íntegra no Observador, online, aqui.

 

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