Fonte: Diário do Minho. Autor: Luís M. Figueiredo Rodrigues
Quando alguém bate à nossa porta, não é apenas um desconhecido que chega: é a verdade da nossa sociedade que se revela sem maquilhagem. A hospitalidade é um lugar de juízo: ou se torna caminho de fraternidade que muda políticas e prioridades, ou se degrada em retórica vazia enquanto a indiferença corrói por dentro a nossa humanidade.
Se quisermos testar a qualidade ética de uma sociedade, o melhor indicador talvez não sejam os índices de crescimento económico, mas a forma como ela trata quem chega cansado, sem papéis e sem voz. A hospitalidade e a fraternidade deixam de ser abstrações quando ganham rosto em campos de refugiados, fronteiras militarizadas, bairros periféricos e serviços públicos saturados. A pergunta é simples e incómoda: quando a crise bate à porta, vemos pessoas ou vemos problemas?
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