Fonte: Diário do Minho. Autor: Luís M. Figueiredo Rodrigues
Num contexto cultural em que a fé cristã corre o risco de se reduzir a opinião privada, herança sociológica ou emotividade religiosa difusa, importa sublinhar que a Eucaristia permanece o lugar privilegiado da educação cristã. Nela, a Igreja não apenas aprende algo sobre Cristo: é introduzida, sacramentalmente, na própria forma da sua existência. A educação cristã não consiste, antes de mais, na transmissão de noções, por mais importantes que sejam, mas na iniciação a uma vida teologal, configurada pela fé, pela esperança e pela caridade. Ora, é precisamente na Eucaristia que essa configuração se realiza de modo eminente, porque nela a Igreja recebe continuamente de Cristo a sua forma, o seu critério e a sua missão.
A Eucaristia educa, antes de mais, porque é memória viva do mistério pascal. Não se trata de simples evocação da última ceia, mas da atualização sacramental da entrega de Cristo ao Pai pela salvação do mundo. Nela, o crente aprende que o centro da realidade não é a autoafirmação, mas o dom de si. Toda a pedagogia eucarística é, neste sentido, uma pedagogia pascal: educa para passar da posse ao acolhimento, do isolamento à comunhão e da autossuficiência à ação de graças. Não por acaso, “Eucaristia” significa agradecimento. O cristão é aí formado para reconhecer que a vida não é propriedade absoluta, mas dom recebido e, por isso mesmo, dom a oferecer.
[...]
À mesa que forma: a Eucaristia como escola de vida cristã
Segunda-feira, Março 23, 2026 - 09:54
Publicação
Diário do Minho
Categorias: